quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Educar é humanizar

Oficializada pelo presidente João Goulart, em 1963, a data de hoje, dia dos Mestres, foi inspirada no 15 de outubro de 1827, quando D. Pedro I decretou que todas as vilas e cidades do Brasil criassem escolas primárias.
Essas escolas só ganharam vida com a ação de nossos professores, que têm empenhado suas vidas na educação de nossas crianças, jovens e adultos. Nessa data, que é também o dia de Santa Teresa D'Avila, mestra da espiritualidade, devemos refletir qual o significado do ofício de nossos educadores.
Riobaldo, o jagunço-filósofo do Guimarães Rosa, costumava dar, sem saber, lições ao pé das lamparinas ou à sombra das árvores retorcidas do cerrado do grande sertão. Ensinava que "buriti quer o azul do céu mas não se aparta de sua água, carece de espelho: mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende".
Nas veredas da minha vida docente aprendi mais que ensinei. Um desses aprendizados veio a partir de uma jovem aluna da disciplina de Prática do Ensino de História, que ministrei na UFRJ. Eu pontificava, talvez com certa soberba, do "alto da experiência" de duas décadas na rede pública municipal, sobre a necessidade de o professor ter o raciocínio rápido e se mostrar dotado da agilidade mental que devia estimular no alunado, quando ela me interrompeu:
- Está certo, professor. Então diga pra gente, em dez afirmações, o que é educar!
Claro que a cobrança deu o rumo da prosa, isto é, do restante da aula. E gerou um debate muito rico. Ali, a dinâmica dialógica, substituindo o monólogo, provocou uma elaboração coletiva, isto é, produziu conhecimento. A "tempestade cerebral" revelou o interesse geral. Sem consultar nada além das informações acumuladas das leituras que ficaram - são as que prestam, na verdade - conseguimos criar algo que foi útil para todos, e nos melhorou como pessoas e como professoras (a maioria da turma era de mulheres e quase todas já lecionavam, ainda que sem licenciatura plena). Hannah Arendt, Paulo Freire, Rubem Alves, Darcy Ribeiro, Emilia Ferrero, Anísio Teixeira, Makarenko, Carlos Rodrigues Brandão e muitos outros - pedagogos, sociólogos, historiadores, antropólogos - foram sendo lembrados e nos ajudaram a compor esse decálogo, necessariamente sintético, que apresento aqui:
1. Educar é humanizar, é tornar o ser humano, que tem condição e não natureza pré-determinada, mais humano, racional e gregário;
2. Educar é descentrar, isto é, ajudar a superar o "pecado original" do egocentrismo, que está em toda criança, para encaminhá-la rumo à socialização;
3. Educar é ensinar a olhar para fora - leitura do mundo, reconhecimento do outro - e para dentro - auto-conhecimento;
4. Educar é fazer ler, escrever e contar para tornar o educando capaz de reflexão, narrativa e partilha;
5. Educar é facilitar a percepção de cada um e de todos como seres naturais e culturais, dotados de objetividade e subjetividade, quebrando a dissociação corpo/espírito;
6. Educar é ensinar a grande geografia, a percepção do nosso espaço vivido, e a imprescindível ecologia, pela qual nos compreendemos como parte da natureza, e não seus dominadores e exploradores;
7. Educar é despertar em cada um a consciência da história, que valoriza o passado que nos constituiu, o presente que nos explica e o futuro socialmente mais justo e igualitário a ser construído;
8. Educar é politizar, ou seja, estimular em cada aluno a consciência de classe e de cidadania, o espírito crítico e o ânimo participativo na civitas, na polis, na sociedade humana;
9. Educar é possibilitar o discernimento entre informação, em geral meramente publicitária e dispersa, moldada para forjar consumidores, e conhecimento, que vai fundo no entendimento do mundo, e forma pessoas;
10. Educar, enfim, é fazer artesanato, com a consciência de que a escola, por si só, não muda a sociedade, mas pode e deve transformar as pessoas, e essas, organizadas na cena pública, poderão revolucionar o mundo.
Agradeço a atenção,
Sala das Sessões, 15 de outubro de 2009.
Chico Alencar
Deputado Federal, PSOL/RJ

PDE – De que planejamento falamos? De que desenvolvimento? De que educação?

Gelta Terezinha Ramos Xavier
Professora da Faculdade de Educação-UFF


A implementação do plano de desenvolvimento da educação nos sistemas de ensino municipais e estadual do Rio de Janeiro mobiliza os educadores na medida em que, de diversas maneiras, vêem-se envolvidos no cumprimento de metas e atividades determinadas a partir da assinatura das autoridades governamentais locais supondo compromisso de cumpri-lo.
São mais de quarenta programas organizados em torno dos eixos: educação básica, educação superior, educação profissional e alfabetização, impondo-se desde a lógica da quantificação do trabalho, do controle e da regulamentação, das arbitrariedades nas decisões, na insuficiência de respaldo político e teórico, como retrocesso de encaminhamentos e conquistas dos trabalhadores.
O esforço de compreender o PDE é observado nas críticas e medidas de resistência, parte das lutas de professores e estudantes. Exemplos dessas atitudes são muitos, considerando as divergências de concepções de educação, planejamento, avaliação, currículo, responsabilidade profissional. Desde a menção aos eixos é evidenciada a fragmentação do projeto apartando educação profissional e alfabetização, como se estes dependessem de terceirização e campanhas e relacionando-se ao momento fraternalmente ONG do MEC.
O debate sobre piso salarial, alardeado pelo futuro candidato à presidência da república Cristóvão Buarque, é outra clara distorção quando ignora no conjunto da categoria dos educadores os demais funcionários da escola, banaliza e rebaixa os valores dos salários, tendo em vista a garantia da reprodução e vida digna dos professores.
A avaliação, insistentemente apontada no texto do PDE, afasta-se muitíssimo da compreensão do processo de apreciar e estimar o valor do trabalho realizado. É afirmada a relação de controle e regulação, em função de dados numéricos para compor estatísticas e estimular a competição. Os procedimentos e resultados incluem ameaças, práticas espetaculosas e manipulações de comportamentos como parte de um projeto de uso da pobreza, para assim mantê-la. Envolvem-se estudantes e professores em olimpíadas e ranqueamentos, secundarizando conteúdos e processos formativos como exigências escolares e humanas. Como o Professor Francisco de Oliveira, ressaltamos que estas não são políticas públicas, mas medidas que focam e servem-se da pobreza.
As migalhas anunciadas como recursos e verbas impõem e ampliam formas de exploração do trabalho dos educadores. As formações inicial e continuada confundem-se e sobrepõem-se, esvaziando os projetos de cursos de nível médio e superior de conteúdos, reformulações, inovações, mudanças. Assim, se a formação continuada está prevista e se mistura à inicial, por que tantos anos nos bancos da escola normal ou da graduação? Não se pode alternar a experiência de cursos densos e maiores recursos para realizá-los com o ensino a distância? Com os treinamentos em serviço? Estas são as definições implícitas quando da implementação do PDE.
Os sentidos de Planejamento e Avaliação são claros para nós educadores. Reivindicamos os modelos de Celso Furtado, Dumerval Trigueiro e Florestan Fernandes projetando, acompanhando, desenvolvendo, avaliando, auto-avaliando-se, promovendo críticas e compromentendo-se efetivamente com o trabalho de construir um caminho para a escola e para o país. Afirmamos o projeto da classe trabalhadora para sua formação, visibilidade e poder de transformar radicalmente a sociedade.

CPI vê irregularidades em empresa que fornece pão à prefeitura

Máquinas com sinais de ferrugem, material de limpeza junto de embalagens de alimentos, recipientes sem tampa e funcionários com uniformes sujos. Essas foram algumas das irregularidades encontradas nessa quarta-feira pela CPI do Pãozinho, durante inspeção realizada na fábrica da Home Bread Indústria e Comércio Ltda, em Jacarepaguá. No lugar são produzidos pães para 750 mil alunos da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um laudo da Universidade Federal Rural Fluminense atestou que pães analisados em agosto apresentavam "sujidades" e "aparência de mofo".
Máquina sem uso, enferrujada e suja fica ao lado de outra que funciona e de onde saem pães: sucata ao lado da produção da merenda escolarDiante do que foi visto, a presidente da CPI, a vereadora Lucinha (PSDB) decidiu encaminhar hoje um ofício à Vigilância Sanitária Municipal solicitando um laudo de vistoria na empresa. "Constatamos que não há higiene no preparo dos alimentos que são distribuídos às escolas municipais", afirmou. A empresa, alvo de investigação na CPI da Câmara de Vereadores, é responsável pelo fornecimento de merenda a 1.062 escolas.
Em fevereiro, o jornal mostrou que a Prefeitura do Rio comprou produtos com preços acima do valor de mercado. Durante um ano, o pãozinho careca de 30 g foi vendido por R$ 0,31, enquanto o de 50 g custava R$ 0,24. Após a denúncia, os preços dos produtos caíram. O pãozinho de 30 g passou a ser oferecido por apenas R$ 0,19, e o de 50 g por R$ 0,23. Mesmo assim, em agosto, a Home Bread levou mais R$ 9,8 milhões no contrato com a prefeitura.
Em depoimento à CPI, o proprietário da Home Bread, Antônio Carlos Monteiro, alegou que o pãozinho de 30 g era mais caro pois tinha mais nutrientes. Mas, segundo a vereadora Lucinha, o padeiro da Home Bread afirmou que os dois pães são feitos da mesma massa. O Instituto Annes Dias garantiu à CPI que não houve diferença de nutrientes em amostras analisadas.
Para a nutróloga Regina Mestre Amengual, a contaminação de alimentos por ferrugem, fungos e bactérias pode provocar diarreias e alergias em crianças após o consumo dos pães. "Está totalmente fora dos padrões de consumo", diz. Análise feita pela Rural em pães da Home Bread em agosto atestou que eles não estavam próprios para o consumo. O empresário Antônio Carlos disse que desconhece denúncias de falta de higiene.

Notícia publicada em:http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4042989-EI7896,00-CPI+ve+irregularidades+em+empresa+que+fornece+pao+a+prefeitura.html

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