sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Os EUA querem proibir Paulo Freire!

 Notícia recente, na coluna de Elio Gaspari (É dura a Vida no Arizona, 12.01.11): “O diretor da rede escolar pública de Tucson, Estado do Arizona, EUA, quer fechar os cursos de história e cultura latinas. Entre os livros que pretende tirar dos currículos está a ‘Pedagogia do Oprimido” de Paulo Freire”.
     Em novembro de 2009, em Brasília, durante o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, a Caravana da Anistia promoveu o julgamento político e declarou formalmente para a sociedade a anistia de Paulo Freire, em nome do governo brasileiro. Escrevi: “Paulo Freire, educador popular e cidadão do mundo, finalmente vai voltar a ser cidadão brasileiro em sentido pleno: com direito a reconhecimento formal de sua brasilidade e de sua contribuição à educação como prática da liberdade, à pedagogia do oprimido, da indignação e da autonomia.” E concluía: “O povo e o governo brasileiro o reconhecem cidadão brasileiro em sentido pleno e o oferecem ao mundo também como seu cidadão” (Paulo Freire Cidadão brasileiro, 23.11.2009).
     A crise econômica mundial, especialmente nos países ricos (não sei se ainda dá para dizer ‘desenvolvidos’), está levando a um rápido aumento da xenofobia, à expulsão sumária de imigrantes, à exclusão do diferente, seja por expulsão, segregação, repressão, e, em casos mais extremos, ao simples assassinato e a todo um conjunto de medidas e iniciativas de retorno a valores ultraconservadores.
     Políticos republicanos de seus Estados, entre os quais o Arizona,querem cassar a cidadania dos filhos americanos de imigrantes que entraram ilegalmente nos Estados Unidos. Só em 2008 nasceram 340 mil. A iniciativa é inconstitucional, mas, para o Tea Party (movimento político americano ultraconservador), atrai votos. A Constituição americana, como a brasileira, dá a cidadania a quem nasce na terra. Numa nação de imigrantes, a intolerância de parte da sociedade já perseguiu negros, católicos, irlandeses, chineses, coreanos e japoneses. A bola da vez, há tempos, são os latinos. Eles formam a maioria dos 12 milhões de estrangeiros que trabalham no país sem a devida documentação. Talvez 700 mil sejam brasileiros. Cidadãos do Estado organizam-se em milícias para patrulhar a fronteira com o México. Uma delas é filonazista. É dura a vida no Arizona. Qualquer estrangeiro de aparência suspeita pode ser parado na rua. Se não tiver os papéis, será deportado” (Elio Gaspari).
     A crise do capitalismo não é apenas econômica. Vai muito além disso. O que acontece nos EUA, também acontece nos países mais ricos da Europa. A crise do desemprego brutal, da diminuição da renda, do enfraquecimento da economia revela a podridão da sociedade. Baseada apenas no lucro, que enriquece desmedidamente a poucos, a organização econômica mostra que a mesma separação entre o luxo, a riqueza de poucos e a pobreza de muitos, está presente também nos valores que orientam a convivência. Da mesma forma de que quem tem tudo não precisa dos outros ou só precisa para explorá-los, não precisa da natureza, a não ser para servir-se dela e dela tirar seus ganhos e aumentá-los todo dia. Agora aparece à luz do sol que quem trabalha para sobreviver sofre antes de todos as conseqüências. Se conseguia ‘conviver’ com o opulento e sua riqueza que antes não aparecia, e tudo parecia certo e dentro da lei e da ordem, agora não consegue conviver com seu vizinho que é pobre, tão ou mais pobre que ele.
     Da segregação pela riqueza que vai para poucos de quem sempre apenas sobreviveu, passa-se à segregação da convivência e das idéias. Brasileiros, argentinos, costarriquenhos, mexicanos, haitianos têm outra pele, outra cultura e outros costumes. Não fazem parte do ‘american way of life – o modo americano de viver -, tão celebrado em filmes e na arte em geral. O americano é superior, invade outros países sem pedir licença, impõe suas idéias e valores ao resto do mundo. E agora, na crise e na dor, mostra que seus valores supostamente superiores se esfumaçam no vento da intolerância e do preconceito.
     Paulo Freire está sendo proibido nos currículos escolares de Tucson, Arizona (Aliás, um comentário paralelo. Lá ele está nos currículos das escolas públicas, aqui mal é conhecido, senão rejeitado. Ora pelo exílio forçado, ora pela desinformação, ora pela pequenez de visão e conservadorismo dos gestores educacionais pátrios)
     O Brasil (re)declarou-o cidadão brasileiro e promoveu sua anistia política de forma pública. E agradeceu ao mundo que durante a ditadura militar o adotou como seu cidadão e pedagogo reconhecido, inclusive os Estados Unidos da América, que o acolheram por um tempo. Agora, parece que é preciso fazer um movimento para reconhecer sua cidadania planetária, antes que queimem mais uma vez seus livros e idéias em praça pública. 

Plano de Metas para Educação Estadual está fadado ao fracasso.

por professora Denise


Esse sistema meritocrático só deveria ser implementado depois que se tornasse todas as escolas estaduais em iguais condições de competição. E essa igualdade só será obtida em médio prazo se tomadas as seguintes providências:
 Seleção com avaliações de Português e Matemática para ingresso na rede estadual, essa medida fará com as prefeituras se preocupem cada vez mais com a aprendizagem dos seus alunos e  tal como o estado se preocupará em melhorar a relação ensino/aprendizagem. Hoje a maioria dos alunos recebidos no ensino médio é analfabeta funcional e não aprenderam os fundamentos da Matemática elementar do ensino fundamental e, tão necessária como ferramentas na Física, Química e na continuidade do ensino da Matemática;
A grade curricular do ensino médio é fraquíssima, pois contempla somente dois (2) tempos semanais para as disciplinas de Física, Química, Biologia, Português/Literatura e etc. No entanto maquia a grade com religião, MPB etc, que até poderiam constar como extra-curriculares, mas não como curriculares;
É  necessário que juntamente com as providências citadas haja a valorização salarial do docente da rede estadual, é inadmissível um prof. do ensino médio da rede estadual ter como piso salarial  valor que é em muitos casos inferior à metade do que pagam muitas prefeituras (do próprio estado) aos docentes do ensino fundamental. Essa situação faz com que diariamente vários colegas peçam exoneração, havendo uma constante falta de docentes em várias escolas da rede durante os anos letivos.
- Após a valorização salarial do docente, viabilizar por opção do docente a transformação do docente de 16h em 30h ou 40h, pois hoje muitos fazem essa carga horária como GLP ( hora extra)e torná-lo dedicação exclusiva a determinada unidade escolar.
 Depois de todas essas providências serem tomadas, após um período de maturação poderia ser avaliado e discutido com a categoria /sindicatos a implantação da meritocracia, mas empurrar-nos a meritocracia goela abaixo é típico desse governo, de jogar para a platéia, pois como sabemos países em que a educação é realmente levada a sério pelos seus governantes e, implantaram o sistema da meritocracia, constataram que ele é falho e o abandonaram, sendo o EUA o mais recente, pois ele privilegia sempre as mesmas unidades escolares, que se situam em locais mais privilegiados etc.
   Por tudo que foi exposto e comentado, dizemos NÃO a meritocracia (Nova Escola II).

* Se você concorda com o que está exposto, solicito que assine o abaixo-assinado que está disponível em: www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N5290
Professor Omar Costa

Animação Cultural: Nossa luta é pela investidura!

          Após a última audiência com o novo secretário de Educação do estado do RJ, instaurou-se um clima de instabilidade no grupo de animadores culturais.  O secretário afirmou ter um parecer da procuradoria do Estado em que julgava a PEC da animação inconstitucional e que, portanto, o aconselhava a demitir todos estes profissionais.  Na última terça feira (01/02), nos reunimos no coletivo de animadores e após as devidas avaliações tiramos alguns encaminhamentos que deverão nortear nossas ações de luta para este ano de 2011.  Queremos aqui democratiza-las com os diversos setores deste sindicato.
            Em primeiro lugar, não é a primeira vez que atravessamos uma fase de instabilidade.  Nossa condição funcional em várias ocasiões nos colocou em situações parecidas.  Já vimos estampado na capa de jornais: “Estado demitirá em massa os animadores culturais”.  No entanto, graças a nossa mobilização nos mantemos até aqui.
            Em relação à PEC, após diversas consultas a especialistas, constatamos que uma vez aprovada se transformou numa emenda à Constituição do Estado, só podendo ser “julgada” inconstitucional por instância superior, no caso o STF.  Que mesmo assim ficaria numa “sinuca de bico”, pois, sua principal atribuição é proteger a constituição e, ainda mais neste caso, que possui jurisprudência.  Não cabe ao Ministério Publico a função de julgar a PEC, nem, tão pouco à procuradoria do Estado, até porque a PEC não existe mais. 

ENTÃO O PORQUÊ DA FALA DO SR. RISOLIA SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO?
            Bem, é obvio que na lógica da “meritocracia”, não há lugar para a animação cultural.  Os 50 milhões que o Estado descontou dos animadores ao longo destes anos e deixou de repassar a previdência, soa para o novo secretário apenas como custo.  Entretanto, a fala do  secretário na última audiência é fala de “cão acuado”.  A demissão em massa dos animadores abriria um canal de mobilização ainda maior nas ruas e inauguraria uma grande disputa jurídica.  Cá pra nós...  Com toda imagem de bonzinho que o senhor governador do Estado tenta passar a população, tal responsabilidade ou irresponsabilidade, não cairia bem em seu currículo! Então essa fala não passa de uma ameaça que põe o governo Sérgio Cabral numa situação muito complicada, pois, em audiência no início de seu primeiro governo, assumiu o compromisso público de resolver a questão dos animadores, e agora não realiza seu papel de executivo, que seria no momento simples: convocar e investir os animadores, cumprindo, assim, a emenda aprovada por unanimidade, ou seja, com votos de toda sua bancada e aliados na Assembléia Legislativa do Estado. 
            Pra nós não é nenhuma surpresa.  Tudo que conquistamos até agora, foi fruto da nossa mobilização e luta. E depois desta fala do governo, vamos intensificar o movimento.  Entendemos que a causa da animação cultural possui sim um intuito idealista, de defesa de uma nova escola, de novas relações, de valorização da Cultura local, enfim, de uma referencia para pensar o fazer pedagógico-cultural na escola e na comunidade.  Mas, não é só isso.  Nossa luta, hoje mais que nunca, possui uma dimensão humana extremamente chocante e cruel.  Tratamos de pessoas e não de números, as lágrimas de revolta de uma animadora que estava presente à última audiência, deixou isso bem claro ao governo.  São muitas pessoas de idade já avançada em tempo de aposentadoria, são famílias que ficaram desamparadas com a morte do animador, são outros tantos doentes precisando de atendimento, e ainda muitos produzindo inúmeros projetos em suas escolas.  Lutar por essa causa, significa acreditar na possibilidade de uma escola marcadamente diferente em suas relações, mas, sobretudo, significa a correção de uma grande injustiça histórica contra um grupo de trabalhadores.  Precisamos  do apoio de todos! 

PLANO DE LUTAS.
Foi unânime na última reunião do Coletivo, que precisamos intensificar o movimento.  Se durante mais de dez meses realizamos grandes e bonitos atos na ALERJ “faixa de Gaza” em prol da aprovação da PEC, hoje devemos mudar nosso foco e retomar os atos mensais de forma ainda mais bonita e forte.  Desta forma aprovamos algumas propostas:
·      Retomada dos atos >>> Realização de atos culturais mensalmente em frente à Secretaria Estadual de Educação;

·      Dossiê da Animação Cultural >>> Montagem de um dossiê da animação cultural que nos forneça um tratamento estatístico apontando quem são estes profissionais hoje;

·      Perseguição ao Secretário e sua equipe >>> Realização de atos culturais descentralizados na ocasião das visitas do secretário para a implantação da nova estrutura da Educação proposta por ele (criação das agencias);

·      Fórum de Educação >>> Participação integral no Fórum de defesa da Educação Pública;

·      Congresso do SEPE >>> Apresentação de uma tese específica da Animação Cultural no Congresso do Sepe deste ano;

·      Articulação interna >>> Realização de Seminários e encontros com os animadores;

Todos Juntos Somos Fortes, Somos Flecha, Somos Arco, Todos Nós No Mesmo Barco, Não Há Nada Pra Perder...”.
                                                                                    Chico Buarque

Coletivo de Animadores - Sepe - RJ

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