segunda-feira, 19 de outubro de 2009

CPI do Pãozinho, encontra sujeira

A CPI do Pãozinho, encontrou sujeira na unidade de produção da Home Bread, empresa que fornece pães para as escolas da rede municipal do Rio de Janeiro.
Foram muitas as irregularidades: o material de limpeza era armazenado junto aos alimentos; os equipamentos estavam enferrujados; os ingredientes usados na fabricação apresentavam má conservação;
O estudo feito pela Universidade Rural do Rio de Janeiroconstatou que o pãozinho careca enviado ás escolas contém sujeira e mofo.
Importante lembrar que o contrato da Prefeitura com a Home Bread é de R$9, 8 milhões.
Infelizmente é desta forma que a Prefeitura alimenta nossos alunos. Além de não convocar as merendeiras concursadas, ainda oferece merenda mofada.

Pressão de Governos estadual e municipal tira do ar mensagem publicitária do Sepe para o Dia do Profissional de Educação

Pressão sobre Rádio MPB FM suspende veiculação de mensagem publicitária do sindicato, que lembra a comemoração do Dia do Profissional de Educação e denuncia o descaso dos governos estadual e municipal para com a educação pública de qualidade.

O spot publicitário que o Sepe mandou veicular na rádio MPB FM durante o dia de hoje para lembrar a passagem do dia do Profissional de Educação e para denunciar a política de arrocho salarial e de falta de investimentos na educação pública do governador Sérgio Cabral, do prefeito do Rio Eduardo Paes e de outros governos municipais em nosso estado, foi suspenso pela rádio depois da entrada no ar de duas inserções publicitárias. Para o sindicato, a retirada da propaganda do ar ocorreu por causa de pressões do governo do estado e da prefeitura, já que os mesmos são grandes anunciantes dos veículos de comunicação e exercem a pressão do poder econômico para, numa medida autoritária e anti-democrática, barrar o livre direito de expressão do sindicato que representa os profissionais de educação das redes públicas do estado do Rio de Janeiro.

Já não é a primeira vez que o Sepe se depara com dificuldades para denunciar o descaso dos governos para com o ensino público em nosso estado. Inúmeras vezes, empresas responsáveis pela colocação de outdoors, televisões, jornais impressos e estações de rádio se recusaram a veicular nossas denúncias sob a forma de publicidade, sob a alegação de que não se podia mencionar o nome dos governantes nestas campanhas. Hoje, mais uma vez ficou comprovada a falta de democracia destes governantes que ocupam cargos públicos eletivos e que não suportam a crítica e a fiscalização da população, da classe trabalhadora ou das entidades que, legitimamente, as representam.

Veja abaixo o texto do informe publicitário do Sepe em homenagem ao dia dos Profissionais de Educação que foi retirado do ar:

"EM QUINZE DE OUTUBRO COMEMORA-SE O DIA DO PROFESSOR. INFELIZMENTE, NO RIO DE JANEIRO NÃO TEMOS QUASE NADA PARA FESTEJAR.// O GOVERNADOR SERGIO CABRAL DESCUMPRIU AS PROMESSAS FEITAS PARA O SERVIDOR DA EDUCAÇÃO, ENTRE ELAS A INCORPORAÇÃO DA GRATIFICAÇÃO DO NOVA ESCOLA, QUE SERÁ FEITA EM CONTA GOTAS E SÓ TERMINARÁ EM 2015.//JÁ AS ESCOLAS MUNICIPAIS CONTINUAM COM TURMAS SUPERLOTADAS E COM FALTA DE PROFISSIONAIS.// O PREFEITO EDUARDO PAES ARROCHA O SALÁRIO DO SERVIDOR, QUE ESTÁ HÁ MAIS DE UM ANO SEM REAJUSTE.//EM VÁRIOS OUTROS MUNICÍPIOS OS INVESTIMENTOS NA EDUCAÇÃO ESTÃO SENDO REDUZIDOS.//QUEM TAMBÉM SOFRE COM TODOS ESSES GRAVES PROBLEMAS EM NOSSAS ESCOLAS SÃO OS PAIS E RESPONSÁVEIS DE ALUNOS, QUE VÊEM A SITUAÇÃO PIORAR A CADA ANO.//NO DIA DO PROFESSOR, O SEPE PEDE O APOIO DA POPULAÇÃO NA DEFESA DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE QUALIDADE E NA VALORIZAÇÃO DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO."

SINDICATO ESTADUAL DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO – SEPE RJ

4ª CRE - RELAÇÃO DIFICIL ACESSO

UNIDADES ESCOLARES

(04.10.020) EM Joracy Camargo

(04.10.022) EM Odilon de Andrade

(04.11.016) EM Edmundo da Luz Pinto

(04.11.017) EM Ministro Afrânio Costa

(04.11.023) EM Ministro Plínio Casado

(04.11.036) EM Francisco José Oliveira Viana

(04.11.502) CIEP Deputado José Carlos Brandão Monteiro

(04.11.601) CM Carlos Drumond de Andrade

(04.11.603) CM Morro da Paz

(04.11.604) CM Betinho

(04.11.605) CM Caracol

(04.11.607) CM Maria Altamira Chaves Olegário

(04.11.608) CM Morro da Fé

(04.11.610) CM Mussum - O Trapalhão

(04.20.002) EM Cândido Portinari

(04.20.006) EM Amadeu Rocha

(04.20.013) EM Alice Tibiriçá

(04.20.014) EM Holanda

(04.20.017) EM Capitão de Fragata Didier Barbosa Vianna

(04.20.018) EM Magdalena Tagliaferro

(04.20.025) EM Alberto de Oliveira

(04.20.028) EM Comandante Guilherme Fischer Presser

(04.20.030) EM Tenente Antonio João

(04.20.030).1 Clube Escolar Fundão

(04.20.031) EM Conjunto Praia da Bandeira

(04.20.201) CIEP Olga Benário Prestes

(04.20.603) CM Doutor Antonio Monteiro

(04.20.604) CM Profª Maria Arminda F. Souza Aguiar

(04.20.606) CM Tauá

(04.30.001) EM Prof. Josué de Castro

(04.30.002) EM Teotônio Vilela

(04.30.004) EM IV Centenário

(04.30.006) EM Armando de Salles Oliveira

(04.30.007) EM Nova Holanda

(04.30.009) EM Prof. Paulo Freire

(04.30.201) CIEP Ministro Gustavo Capanema

(04.30.204) CIEP Operário Vicente Mariano

(04.30.206) CIEP Helio Smidt

(04.30.501) CIEP Presidente Samora Machel

(04.30.502) CIEP Elis Regina

(04.30.601) CM Menino Maluquinho

(04.30.602) CM Vila Pinheiro

(04.30.603) CM Tio Mario

(04.30.604) CM Monteiro Lobato

(04.30.605) CM Nova Holanda

(04.30.606) CM Pescador Albano Rosa

(04.30.607) CM Prof. Paulo Freire

(04.31.002) EM David Perez

(04.31.010) EM Armando Fajardo

(04.31.011) EM Raul Pederneiras

(04.31.012) EM Carvalho Mourão

(04.31.013) EM Montese

(04.31.014) EM Ministro Lafayette de Andrade

(04.31.016) CC Cruzada São Sebastião

(04.31.016) CC Cruzada São Sebastião

(04.31.020) EM Alfredo Valladão

(04.31.021) EM Heitor Beltrão

(04.31.022) EM Eneyda Rabello de Andrade

(04.31.501) CIEP Mestre Cartola (Agenor de Oliveira)

(04.31.601) CM Luis Carlos de Oliveira Câmara

(04.31.602) CM Barbosa Lima Sobrinho

(04.31.603) CM Chico Mendes

(04.31.604) CM Coração de Geneve

(04.31.605) CM Sempre Vida Dique

(04.31.606) CM Visconde de Sabugosa

(04.31.607) CM Acauã

(04.31.608) CM Ari PimenteL

DECRETO DIFICIL ACESSO - NOVAS UE'S

D.O. 16/10/09
RESOLUÇÃO SME N.º 1043 DE 15 DE OUTUBRO DE 2009


Dispõe sobre a concessão da gratificação por atividade em unidades escolares situadas em local de difícil acesso.

A SECRETÁRIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, no uso de suas atribuições legais e considerando:

• o disposto no Decreto n.º 23.020 de 17 de junho de 2003;

• a gratificação de que trata o referido Decreto inserida política de valorização dos profissionais da Secretaria Municipal de Educação;

RESOLVE:

Art. 1º São consideradas de difícil acesso todas as unidades escolares da E/SUBE/10ª Coordenadoria Regional de Educação, além das demais elencadas no Anexo I desta Resolução.

§ 1º Farão jus à gratificação de difícil acesso os servidores em exercício nas unidades escolares que integram o referido anexo.

Art. 3º Ficam mantidas, também, as unidades escolares constantes do Anexo II.

Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogadas a Resolução SME nº 941, de 15 de fevereiro de 2007 e a Resolução SME nº 998, de 28 de outubro de 2008.

Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2009.

CLAUDIA COSTIN

domingo, 18 de outubro de 2009

Agentes Auxiliares de Creches - Um reflexo do descaso da Prefeitura

Por Maria Joselma Brito*

Com a passagem das creches para o sistema de educação, (anteriormente estavam vinculadas a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social), no âmbito legal explicita-se a idéia de que somente “agora” as creches passam a adotar objetivos educacionais, pois antes eram vistas apenas como lugar de guarda e cuidados para as crianças de baixa renda e, portanto, não se desenvolviam ali atividades pedagógicas. Nessa lógica, para que tais atividades fossem desenvolvidas, a formação adequada dos profissionais passa a ser um fator importante para efetivação desse direito infantil. A formação mínima instituída pela LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação - para trabalhar na Educação infantil se dá nos cursos de formação de professores, ao nível do Ensino Médio.

Mesmo existindo uma obrigatoriedade instituída legalmente, a Educação Infantil realizada nas creches continua atrelada ao ranço assistencialista e sendo alvo do descaso dos governantes. No município do Rio de Janeiro exigiu-se apenas nível fundamental para que profissionais denominados Agentes Auxiliares de Creche(AAC) pudessem atuar nesses espaços educativos, contrariando assim, o que reza no texto da LDB. Embora muitos auxiliares lotados nas creches tenham formação superior em diferentes áreas, constava no edital do concurso que realizaríamos tarefas em conjunto com um educador. Mas na realidade os AACs são obrigados a realizar funções docentes na medida em que não existe um professor presente durante as oito horas diárias de trabalho. Na realidade o agente auxiliar de creche que planeja, registra, acompanha e realiza as práticas pedagógicas necessárias ao desenvolvimento das atividades diárias com as crianças, mas não tem um salário condizente com a função que desempenha.

Portanto toda a categoria deve ficar atenta as estratégias governamentais que mascaram formas de opressão e conformação, uma delas é o PROINFANTIL que legitima o desvio de função dos AACs com a realização de atribuições que não são inerentes ao cargo para o qual realizaram concurso. Durante a realização deste curso os AACs terão que realizar diversas atividades que estão relacionadas a função docente, como:
Projeto de estudo: atividade de pesquisa e/ou ação pedagógica a respeito de algum aspecto (social, histórico, cultural, ecológico, etc.) de sua realidade local;
Registro de Atividades (reflexão sobre uma atividade interessante desenvolvida com as crian­ças que deve conter: planejamento, relato e avaliação de atividade);
A contratação de profissionais leigos revela a falta de comprometimento das autoridades municipais com esse segmento educacional, desrespeitando inclusive o direito das crianças ao acesso a uma educação de qualidade. Um dos principais fatores responsáveis por uma proposta educacional qualitativa é a formação dos profissionais, porém estes devem ter condições favoráveis. Não podemos ficar acreditando em promessas e comemorando benefícios devemos exigir nossos direitos.

O número de auxiliares lotados nas creches não corresponde a real necessidade para efetivação de um trabalho qualitativo, fato que perpassa também por uma questão de segurança, pois são muitas crianças que ficam sob os cuidados de apenas um adulto em determinados casos, como nas turmas de M II que tem em média 25-28 crianças de até 4 anos. Diante desse quadro faz-se urgente a necessidade de convocação dos profissionais concursados, pois ainda existem muitos funcionários terceirizados que são contratados por OSs e cumprem uma carga horária de seis horas. Essa discrepância sobrecarrega o profissional do município que é obrigado a permanecer mais tempo sozinho com muitas crianças sob sua responsabilidade e por mais que esteja atento há o risco de ocorrer acidentes.
A presença de OSs nas creches evidencia a falta de competência do governo em assumir um compromisso com a educação que consta na Constituição como dever do Estado.
A implementação de projetos que incluem a abertura das creches aos sábados é uma verdadeira violência contra os profissionais, os pais e principalmente contra as crianças. Essa proposta visa incluir crianças que estão na lista de espera, portanto não estão acostumadas a rotina da creche, necessitando assim de um período de adaptação. O distanciamento da família durante as horas de permanência nas instituições de Educação infantil, sem a realização de um processo de adaptação pode trazer sérias conseqüências ao desenvolvimento dessas crianças. E a extensa carga horária favorece cada vez mais o adoecimento dos profissionais de educação.
Por tudo isso precisamos alertar a população que a ampliação de vagas não é garantia de EDUCAÇÃO, pois educar não é só colocar na creche, e sim, viabilizar as condições mínimas necessárias para um trabalho pedagógico de qualidade. Isso implica em disponibilizar recursos humanos e materiais.
Nós, Agentes Auxiliares de Creche, precisamos nos mobilizar e exigir do poder público que sejam realizadas diversas mudanças no âmbito da Educação Infantil. Devemos reivindicar melhores condições para que possamos realizar nosso trabalho com a dignidade que as crianças e as famílias merecem.


Só a união e a mobilização de todos poderão transformar essa realidade.


* Maria Joselma Brito é Agente Auxilliar de Creche e Diretora de Formação Política e Sindical desta Regional

sábado, 17 de outubro de 2009

A ORIGEM DO DIA DO PROFESSOR

Em 15 de outubro de 1827 (no dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial no sentido de que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. A idéia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.
Surgiu apenas em 1947, exatamente 120 anos após o referido decreto, a primeira comemoração de um dia todo dedicado ao Professor. Foi em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”.
O longo período letivo do segundo semestre ia de 01 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de se organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.
O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro - data em que, na sua cidade natal, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. Era na Escola Normal Oficial de Piracicaba (atual Instituto de Educação Sud Menucci), onde tinha ele estudado e por onde se formavam professores para o ensino básico. O diretor, Onofre Penteado, gostou da iniciativa.
A festa foi um sucesso. No ano seguinte, o jornal “A Gazeta” fez a cobertura do acontecimento, que já contava com a adesão de um colégio vizinho: o Pais Leme, que ficava na esquina da Rua Augusta com a Av. Paulista. Com os professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada, para depois crescer e implantar-se por todo o Brasil.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O Sentido Dramático da Aprendizagem

"O educador educa a dor da falta, cognitiva e afetiva, para a construção do prazer. É da falta que nasce o desejo. Educa a aflição da tensão da angústia de desejar. Educa a fome de desejo. Um dos sintomas de estar vivo é a nossa capacidade de desejar e de nos apaixonar, amar e odiar, destruir e construir. Somos movidos pelo desejo de crescer, de aprender, e nós, educadores, também de ensinar. Instrumental importante na vida do ensinar do educador é o ver (observação), o escutar e o falar. Assim como, para estar vivo, não basta o coração batendo, para ver não basta estar de olhos abertos. Observar, olhar o outro e a si próprio, significa estar atento, buscando o significado do desejo, acompanhar o ritmo do outro buscando sintonia com este. A observação faz parte da aprendizagem do olhar, que é uma ação altamente movimentada e reflexiva. Ver é buscar, tentar compreender, ler desejos. Através do seu olhar, o educador também lança seus desejos para o outro. Para escutar, não basta, também, só ter ouvidos. Escutar envolve receber o ponto de vista do outro (diferente ou similar ao nosso), abrir-se para o entendimento de sua hipótese, identificar-se com sua hipótese, para a compreensão de seu desejo. Para falar, não basta ter boca, é necessário ter um desejo para comunicar, pois todo desejo pede, busca comunicação com o outro. Também, "todo o desejo é o desejo do outro". É o outro que me impele a desejar… É na fala do educador, no ensinar (intervir, devolver, encaminhar), expressão do seu desejo, casado com o desejo que foi lido, compreendido pelo educando, que ele tece o seu ensinar. Ensinar e aprender são movidos pelo desejo e pela paixão."
(Madalena Freire, no livro A paixão de Aprender)

"O educador democrático não pode negar-se ao dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão."
(Paulo Freire)

Através das citações acima, prestamos uma pequena homenagem pelo Dia dos Professores a todos estes nobres profissionais que ajudam a construir, com muita luta, uma sociedade mais crítica e justa!

Marcia Garrido (Coord.Geral - Reg.IV)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Educar é humanizar

Oficializada pelo presidente João Goulart, em 1963, a data de hoje, dia dos Mestres, foi inspirada no 15 de outubro de 1827, quando D. Pedro I decretou que todas as vilas e cidades do Brasil criassem escolas primárias.
Essas escolas só ganharam vida com a ação de nossos professores, que têm empenhado suas vidas na educação de nossas crianças, jovens e adultos. Nessa data, que é também o dia de Santa Teresa D'Avila, mestra da espiritualidade, devemos refletir qual o significado do ofício de nossos educadores.
Riobaldo, o jagunço-filósofo do Guimarães Rosa, costumava dar, sem saber, lições ao pé das lamparinas ou à sombra das árvores retorcidas do cerrado do grande sertão. Ensinava que "buriti quer o azul do céu mas não se aparta de sua água, carece de espelho: mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende".
Nas veredas da minha vida docente aprendi mais que ensinei. Um desses aprendizados veio a partir de uma jovem aluna da disciplina de Prática do Ensino de História, que ministrei na UFRJ. Eu pontificava, talvez com certa soberba, do "alto da experiência" de duas décadas na rede pública municipal, sobre a necessidade de o professor ter o raciocínio rápido e se mostrar dotado da agilidade mental que devia estimular no alunado, quando ela me interrompeu:
- Está certo, professor. Então diga pra gente, em dez afirmações, o que é educar!
Claro que a cobrança deu o rumo da prosa, isto é, do restante da aula. E gerou um debate muito rico. Ali, a dinâmica dialógica, substituindo o monólogo, provocou uma elaboração coletiva, isto é, produziu conhecimento. A "tempestade cerebral" revelou o interesse geral. Sem consultar nada além das informações acumuladas das leituras que ficaram - são as que prestam, na verdade - conseguimos criar algo que foi útil para todos, e nos melhorou como pessoas e como professoras (a maioria da turma era de mulheres e quase todas já lecionavam, ainda que sem licenciatura plena). Hannah Arendt, Paulo Freire, Rubem Alves, Darcy Ribeiro, Emilia Ferrero, Anísio Teixeira, Makarenko, Carlos Rodrigues Brandão e muitos outros - pedagogos, sociólogos, historiadores, antropólogos - foram sendo lembrados e nos ajudaram a compor esse decálogo, necessariamente sintético, que apresento aqui:
1. Educar é humanizar, é tornar o ser humano, que tem condição e não natureza pré-determinada, mais humano, racional e gregário;
2. Educar é descentrar, isto é, ajudar a superar o "pecado original" do egocentrismo, que está em toda criança, para encaminhá-la rumo à socialização;
3. Educar é ensinar a olhar para fora - leitura do mundo, reconhecimento do outro - e para dentro - auto-conhecimento;
4. Educar é fazer ler, escrever e contar para tornar o educando capaz de reflexão, narrativa e partilha;
5. Educar é facilitar a percepção de cada um e de todos como seres naturais e culturais, dotados de objetividade e subjetividade, quebrando a dissociação corpo/espírito;
6. Educar é ensinar a grande geografia, a percepção do nosso espaço vivido, e a imprescindível ecologia, pela qual nos compreendemos como parte da natureza, e não seus dominadores e exploradores;
7. Educar é despertar em cada um a consciência da história, que valoriza o passado que nos constituiu, o presente que nos explica e o futuro socialmente mais justo e igualitário a ser construído;
8. Educar é politizar, ou seja, estimular em cada aluno a consciência de classe e de cidadania, o espírito crítico e o ânimo participativo na civitas, na polis, na sociedade humana;
9. Educar é possibilitar o discernimento entre informação, em geral meramente publicitária e dispersa, moldada para forjar consumidores, e conhecimento, que vai fundo no entendimento do mundo, e forma pessoas;
10. Educar, enfim, é fazer artesanato, com a consciência de que a escola, por si só, não muda a sociedade, mas pode e deve transformar as pessoas, e essas, organizadas na cena pública, poderão revolucionar o mundo.
Agradeço a atenção,
Sala das Sessões, 15 de outubro de 2009.
Chico Alencar
Deputado Federal, PSOL/RJ

PDE – De que planejamento falamos? De que desenvolvimento? De que educação?

Gelta Terezinha Ramos Xavier
Professora da Faculdade de Educação-UFF


A implementação do plano de desenvolvimento da educação nos sistemas de ensino municipais e estadual do Rio de Janeiro mobiliza os educadores na medida em que, de diversas maneiras, vêem-se envolvidos no cumprimento de metas e atividades determinadas a partir da assinatura das autoridades governamentais locais supondo compromisso de cumpri-lo.
São mais de quarenta programas organizados em torno dos eixos: educação básica, educação superior, educação profissional e alfabetização, impondo-se desde a lógica da quantificação do trabalho, do controle e da regulamentação, das arbitrariedades nas decisões, na insuficiência de respaldo político e teórico, como retrocesso de encaminhamentos e conquistas dos trabalhadores.
O esforço de compreender o PDE é observado nas críticas e medidas de resistência, parte das lutas de professores e estudantes. Exemplos dessas atitudes são muitos, considerando as divergências de concepções de educação, planejamento, avaliação, currículo, responsabilidade profissional. Desde a menção aos eixos é evidenciada a fragmentação do projeto apartando educação profissional e alfabetização, como se estes dependessem de terceirização e campanhas e relacionando-se ao momento fraternalmente ONG do MEC.
O debate sobre piso salarial, alardeado pelo futuro candidato à presidência da república Cristóvão Buarque, é outra clara distorção quando ignora no conjunto da categoria dos educadores os demais funcionários da escola, banaliza e rebaixa os valores dos salários, tendo em vista a garantia da reprodução e vida digna dos professores.
A avaliação, insistentemente apontada no texto do PDE, afasta-se muitíssimo da compreensão do processo de apreciar e estimar o valor do trabalho realizado. É afirmada a relação de controle e regulação, em função de dados numéricos para compor estatísticas e estimular a competição. Os procedimentos e resultados incluem ameaças, práticas espetaculosas e manipulações de comportamentos como parte de um projeto de uso da pobreza, para assim mantê-la. Envolvem-se estudantes e professores em olimpíadas e ranqueamentos, secundarizando conteúdos e processos formativos como exigências escolares e humanas. Como o Professor Francisco de Oliveira, ressaltamos que estas não são políticas públicas, mas medidas que focam e servem-se da pobreza.
As migalhas anunciadas como recursos e verbas impõem e ampliam formas de exploração do trabalho dos educadores. As formações inicial e continuada confundem-se e sobrepõem-se, esvaziando os projetos de cursos de nível médio e superior de conteúdos, reformulações, inovações, mudanças. Assim, se a formação continuada está prevista e se mistura à inicial, por que tantos anos nos bancos da escola normal ou da graduação? Não se pode alternar a experiência de cursos densos e maiores recursos para realizá-los com o ensino a distância? Com os treinamentos em serviço? Estas são as definições implícitas quando da implementação do PDE.
Os sentidos de Planejamento e Avaliação são claros para nós educadores. Reivindicamos os modelos de Celso Furtado, Dumerval Trigueiro e Florestan Fernandes projetando, acompanhando, desenvolvendo, avaliando, auto-avaliando-se, promovendo críticas e compromentendo-se efetivamente com o trabalho de construir um caminho para a escola e para o país. Afirmamos o projeto da classe trabalhadora para sua formação, visibilidade e poder de transformar radicalmente a sociedade.

CPI vê irregularidades em empresa que fornece pão à prefeitura

Máquinas com sinais de ferrugem, material de limpeza junto de embalagens de alimentos, recipientes sem tampa e funcionários com uniformes sujos. Essas foram algumas das irregularidades encontradas nessa quarta-feira pela CPI do Pãozinho, durante inspeção realizada na fábrica da Home Bread Indústria e Comércio Ltda, em Jacarepaguá. No lugar são produzidos pães para 750 mil alunos da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um laudo da Universidade Federal Rural Fluminense atestou que pães analisados em agosto apresentavam "sujidades" e "aparência de mofo".
Máquina sem uso, enferrujada e suja fica ao lado de outra que funciona e de onde saem pães: sucata ao lado da produção da merenda escolarDiante do que foi visto, a presidente da CPI, a vereadora Lucinha (PSDB) decidiu encaminhar hoje um ofício à Vigilância Sanitária Municipal solicitando um laudo de vistoria na empresa. "Constatamos que não há higiene no preparo dos alimentos que são distribuídos às escolas municipais", afirmou. A empresa, alvo de investigação na CPI da Câmara de Vereadores, é responsável pelo fornecimento de merenda a 1.062 escolas.
Em fevereiro, o jornal mostrou que a Prefeitura do Rio comprou produtos com preços acima do valor de mercado. Durante um ano, o pãozinho careca de 30 g foi vendido por R$ 0,31, enquanto o de 50 g custava R$ 0,24. Após a denúncia, os preços dos produtos caíram. O pãozinho de 30 g passou a ser oferecido por apenas R$ 0,19, e o de 50 g por R$ 0,23. Mesmo assim, em agosto, a Home Bread levou mais R$ 9,8 milhões no contrato com a prefeitura.
Em depoimento à CPI, o proprietário da Home Bread, Antônio Carlos Monteiro, alegou que o pãozinho de 30 g era mais caro pois tinha mais nutrientes. Mas, segundo a vereadora Lucinha, o padeiro da Home Bread afirmou que os dois pães são feitos da mesma massa. O Instituto Annes Dias garantiu à CPI que não houve diferença de nutrientes em amostras analisadas.
Para a nutróloga Regina Mestre Amengual, a contaminação de alimentos por ferrugem, fungos e bactérias pode provocar diarreias e alergias em crianças após o consumo dos pães. "Está totalmente fora dos padrões de consumo", diz. Análise feita pela Rural em pães da Home Bread em agosto atestou que eles não estavam próprios para o consumo. O empresário Antônio Carlos disse que desconhece denúncias de falta de higiene.

Notícia publicada em:http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4042989-EI7896,00-CPI+ve+irregularidades+em+empresa+que+fornece+pao+a+prefeitura.html

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