terça-feira, 3 de novembro de 2009

Comunidades escolares continuam sob risco em meio à guerra entre polícia e traficantes em várias regiões do Rio

Fonte: Site do SEPE-RJ (03/11/09)

Desde meados de outubro, com a invasão do Morro dos Macacos, escolas localizadas em diversas áreas consideradas de risco estão sendo obrigadas a manter as portas abertas, mesmo com o risco de confrontos entre quadrilhas ou destas com a polícia. Hoje, mais de 11 escolas na região da Vila Kennedy abriram as portas, mas tiveram que fechar em meio aos tiroteios. As autoridades municipais e estaduais nas áreas de educação e segurança continuam se omitindo e não fazem nada para garantir a segurança das comunidades escolares

Nas últimas semanas, o Sepe tem denunciado as precárias condições de segurança a que estão submetidos os profissionais de educação e alunos das comunidades escolares localizadas em áreas de risco em diversas regiões da cidade. A situação tornou-se insustentável desde a tentativa de invasão do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, em meados de outubro, quando diversas unidades municipais e estaduais localizadas nas regiões adjacentes foram obrigadas a abrirem suas portas pela SME e SEE, mesmo em meio a protestos da categoria e de responsáveis temerosos com os confrontos entre a polícia e os traficantes em disputa pelos pontos de drogas.


Com o aumento das ações policiais em diversas localidades, o risco se ampliou para outras regiões da cidade, como a Zona da Leopoldina (Manguinhos) e no Complexo do Alemão (Vila Cruzeiro), onde a troca de tiros e as invasões da polícia provocaram mortes e ferimentos em moradores e o fechamento das escolas. O Sepe já recebeu informações de que a situação ainda continua crítica na Vila Cruzeiro, onde as escolas continuam abertas, deixando em risco alunos, professores e funcionários.


Agora, desde o final da semana, as escolas localizadas na região da Vila Kennedy, Zona Oeste da cidade, se encontram em meio a mais uma guerra entre quadrilhas rivais e a polícia, que ocupou a Vila Kennedy e vem efetuando operações em plena luz do dia. Nesta terça-feira (dia 03/11) 11 escolas públicas na Vila Kennedy abriram as portas, mas não puderam funcionar por causa do tiroteio entre quadrilhas rivais e, também policiais que atuam na ocupação do local.
O Sepe já procurou a Secretaria Municipal de Educação para exigir providências, visando garantir a segurança de profissionais de educação e alunos. Também denunciamos na imprensa as manobras das autoridades municipais e estaduais, que estão obrigando as escolas a manterem suas portas abertas para aparentar uma pretensa “normalidade”, a qual só existe na cabeça dos governantes pouco preocupados com a segurança da população. Não é possível que as escolas continuem funcionando em áreas onde confrontos ainda estejam ocorrendo, expondo a vida de milhares de alunos e de centenas de profissionais de educação. Não podemos aceitar tamanha omissão do poder público e ver as nossas escolas transformadas em cobaias numa experiência de segurança pública que atira primeiro para depois conferir quem é culpado ou não e não consegue deter a onda de violência que cada vez mais se abate sobre a nossa cidade.

África em Nós ll Encontro Cultural de Literatura

Data:
16 e 17 de novembro de 2009


Local:

UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA
Campus
Tijuca - Auditório

África em Nós ll Encontro Cultural de Literatura

- Apresentações
- Mesas Redondas
- Oficinas

Coordenação Geral:
Profa Cristina Prates

Dir. de Produção:
Adriana Milagres

Realização Cultural:
Nega Produções

Programação 1

Programação 2

Entrada Franca.

Eduardo Paes quer fazer mudanças em nosso Plano de Carreira

POR ALESSANDRA HORTO, RIO DE JANEIRO
COLUNA DO SERVIDOR - JORNAL O DIA

Rio - Os 36 mil professores do Município do Rio terão um novo plano de carreira a partir de 2010. A Secretaria Municipal de Educação vai enviar, em dezembro, projeto de lei à Câmara que vai permitir que os professores migrem, voluntariamente, para o regime de carga horária de 30 horas. Quem aceitar a proposta terá automaticamente aumento salarial proporcional.

Atualmente, os 14.626 professores I (do 5º ao 9º ano) cumprem a carga horária de 16 horas. Os 21.446 professores II (da pré-escola ao 4º ano) trabalham 22 horas. A secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, disse à Coluna que o Ministério da Educação determinou que o plano de carreira seja modificado por alguns municípios e destacou que a ampliação da carga horária é resultado da visão técnica da secretaria.

Costin detalhou que a proposta inicial é que os professores II trabalhem somente em uma escola. E que o professor I trabalhe em menos escolas possíveis. De acordo com a secretária, os professores não serão obrigados a migrar para o sistema de 30 horas, porque muitos já trabalham no estado ou em colégios particulares. “Será uma ação voluntária para os atuais. Pois, legalmente, não podemos exigir que o professor trabalhe mais do que a legislação permite. Ele tem que trabalhar dentro da carga horária para a qual foi contratado. Por isso, a ideia de ampliarmos o horário por meio de lei. A carga horária para os novos professores será automaciamente de 30 horas, por estar prevista em nosso projeto”, esclarece Costin

A Difícil Tarefa de SER PROFESSOR na Rede Pública do Rio de Janeiro

Por Marcia Garrido*

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão


Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

(Sonho Impossível – versão: Chico Buarque e Ruy Guerra)


Durante as últimas décadas, a educação pública no município do Rio de Janeiro vem sofrendo, paulatinamente, um contínuo processo de deterioração devido, entre outros fatores, ao paternalismo instituído por uma série de “bolsas” e, principalmente, à aprovação automática. Essa política nefasta e criminosa acabou fazendo com que a maioria dos alunos e seus responsáveis criassem um falso perfil do papel da Escola na sociedade e acreditassem veementemente nele. Desta maneira, a aprendizagem passou a ficar abaixo do patamar que lhe deveria ser creditado e o profissional de educação ainda mais desvalorizado. A Escola tornou-se, então, muito mais um espaço social - como um clube - onde os alunos se encontram, lancham e tudo podem fazer. Em contrapartida, os professores foram reduzidos a meras figuras decorativas e de coerção, sendo obrigados a assumir a função de “tomar conta” desses alunos sem poder exercer dignamente a sua profissão (sobre a qual dedicaram anos de estudo). Na ausência destas condições mínimas, e sem o suporte necessário para educar, o professor se vê impedido de atingir o objetivo principal e maior do seu ofício: contribuir para que o aluno se torne um ser crítico e autônomo, capaz de interferir beneficamente em sua própria vida e na sociedade.

O reflexo disto chega aos últimos anos do Ensino Fundamental e ao Ensino Médio, onde é fácil encontrar alunos que mal sabem ler (analfabetos funcionais), os chamados “filhos do ciclo”, que foram, porque não dizer, enganados durante todo esse tempo por sucessivos governos clientelistas. Na Rede Municipal, quebrando a hegemonia da longa era César Maia, surge o governo privatista de Eduardo Paes, que desconsidera a autonomia do professor, faz “pactos” com OS’s para gerenciar instituições públicas e vislumbra alterar abruptamente a vida funcional de professores de classes especiais, auxiliares de creches e merendeiras. Este atual governo caracterizado por impactantes ações de marketing, que massifica a população através de propagandas que iludem e manipulam, foca suas atividades em eventos grandiosos tais como as Escolas do Amanhã e nos enfadonhos Projetos “Acelera”, “Se Liga” e, mais recente, o “Fórmula da Vitória” (que é vitorioso só no nome). Enquanto isso, muitos alunos de nossa rede permanecem tão analfabetos quanto foi detectado no início do ano letivo. Cabe ressaltar, que tais projetos “importados” da rede privada, possuem, muitas vezes, funcionários que não estão preparados para exercer tal função porque não são tão qualificados quanto os profissionais concursados para este fim, obviamente fazendo diminuir a qualidade do ensino. Deste modo, a impenitente tecnocratização da atual gestão da rede acaba se refletindo diretamente na má qualidade pedagógica, através de materiais prontos, que chegam às escolas da rede municipal, incompatíveis cronologicamente com o planejamento anterior elaborado pelos professores.

Por outro lado, na Rede Estadual, há poucos meses, educadores que reivindicavam seus direitos, foram tratados como marginais e agredidos covardemente pela tropa de choque do governo Sérgio Cabral.

Então, como falar numa efetiva melhoria da qualidade de ensino em nossa rede pública se nem os próprios governantes dão o exemplo e agem de maneira desrespeitosa e insipiente com seus professores?

Vamos recapitular o que se passa atualmente nas escolas...

Os professores têm que trabalhar em salas de aula lotadas, lidar muitas vezes com alunos agressivos (frutos da violência gerada pela crise social do entorno onde estão inseridos) e que possuem pouca, ou quase nenhuma, estrutura e/ou apoio familiar. Sem falar nestes anos seguidos de aprovação automática, que destruíram os hábitos de estudo destas crianças e as fizeram construir um imaginário antagônico à realidade e totalmente desfavorável ao seu desenvolvimento cognitivo e crítico, essenciais para a formação de sua cidadania.

Além de tudo, estes profissionais de educação ainda têm que enfrentar governos autoritários que exercem seu poder, em diversas escolas, através de direções submissas que servem de “braços do Estado” e pressionam e perseguem vários profissionais de educação, que se mostram contrários ao status quo. Infelizmente, tais características de assédio moral estão presentes em nosso dia-a-dia há muito tempo, perpassando por diferentes governos. E no cotidiano da escola, vários de nós já “sentimos na pele” ou já presenciamos algum tipo de assédio moral por um superior hierárquico. Só que muitos não denunciam para não se expor e evitar um desgaste maior, pois se sentem amedrontados e desacreditados diante de tantos senões... Mas motivos não faltariam!

Mesmo assim, alguns profissionais resistem bravamente, pois ainda têm um fio de esperança na educação pública, e até conseguem desenvolver com muita luta, e por meios próprios, belos trabalhos pontuais na rede. A eles, a nossa sincera reverencia; ao governo e as suas “rainhas-loucas”, as batatas!

Mas como reverter este triste quadro? Existe saída? Qual?

Cabe à categoria, outra vez, se fazer presente neste momento e participar de forma mais efetiva, tomando conhecimento das ações e das intenções do governo. Esta é a hora de demonstrar força e unir todos setores da educação: professores, auxiliares de creches, agentes educadores, merendeiras, agentes administrativos e aposentados (que têm visto seus salários cada vez mais defasados no decorrer dos anos, não podendo desfrutar de uma aposentaria digna e coerente com sua contribuição), nos impondo verdadeiramente, de modo a garantir nossos direitos e exigir melhores condições de trabalho e salários.

Percebemos que o início da solução para este enorme problema se dá na organização da categoria de forma eficiente e massiva, visando fortalecer o sindicato e se fazendo representar de maneira real (e não apenas ficar aguardando as decisões para julgá-las posteriormente).

O SEPE é formado por todos nós e devemos assumir a responsabilidade disto, apoiando as reivindicações e impedindo, assim, o avanço de atitudes irracionais dos atuais governos municipal e estadual. Devemos ver o nosso sindicato como um porta-voz, e não como um procurador, da categoria. E esta voz somente será ouvida e respeitada se ela soar forte com a participação de todos. Nenhuma autoridade teme, ou sequer escuta, a voz fraca emitida por uns poucos. Se não lutarmos agora, formando uma sólida frente de resistência, daqui a algum tempo não sobrará nem vestígio do que, algum dia, chamamos de PROFESSOR...

É isso que desejamos???
___________________
* Marcia Garrido é Professora das Redes Estadual e Municipal de Educação e Coordenadora Geral desta Regional

Professores de 40 horas: governo adiou envio da mensagem à Alerj

O governo do estado ainda não enviou à Alerj a mensagem com o projeto de lei do Plano de Carreira dos professores de 40 horas, que estava prevista para ontem, conforme acordo com o secretário de Planejamento Sergio Ruy Barbosa.

O Gabinete da deputada estadual Aparecida Gama informou que a mensagem será enviada na semana que vem. Segundo a informação, o governo do estado quer primeiro resolver a questão do reajuste da Segurança, que está sendo votado pelo Legislativo.

O Sepe vai cobrar diretamente da Seplag o envio o mais rápido possível da mensagem.

Justiça manda governo devolver GLP de professora

O juiz da 2ª Vara Cível de Cabo Frio, Walnio Franco Pacheco, concedeu uma liminar pedida pelo Sepe, que obriga o governo do estado a devolver a GLP da professora Denise Quintal Alvarenga. Ela foi punida pelo diretor do Instituto de Educação Ismar Gomes de Azevedo onde ela trabalha, em Cabo Frio, por realizar a recente greve na rede estadual. O Departamento Jurídico do Sepe entrou na Justiça a partir de uma decisão da assembleia da categoria.

Qualquer outro profissional que sofrer uma perseguição deve entrar em contato urgente com o Sepe, no fone (21) 21950450.

Carta de uma merendeira concursada

Fui classificada no concurso para merendeira de 2008 e estou lutando com mais algumas pessoas, na mesma situação que eu, para que sejamos convocadas. No último dia 8, fizemos uma manifestação pela nossa convocação, mas parece que o prefeito está ignorando tudo. O que nos indigna é que somos 1.125 classificadas num concurso onde 85 mil candidatas fizeram as provas objetivas. Chamaram, dentre este número total, 1.400 para fazer a prova prática. Gostaria de ter uma ajuda do jornal FOLHA DIRIGIDA, a fim de que a causa das merendeiras tivesse maior visibilidade, visto que muita escola depende das merendeiras e o atual prefeito só quer saber de Olimpíadas-2016, junto com o governador. Isso mostra a nossa realidade: um futuro de crianças sem merenda e politicagem em alta.

Encontro de aposentados será em novembro

O Sepe realiza de 7 a 11 de novembro o 32º Encontro de Aposentados do estado em Itaguaí, no Sítio Bumerangue (veja o mapa na internet: http://www.sitiobumerangue.com.br/). O site do Sepe também disponibilizou a ficha de inscrição. A seguir, a pauta do evento:

Veja a programação:


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Pesquisa mostrou que gestores escolares ainda se preocupam muito mais com a burocracia que com o pedagógico

O que faz e o que pensa o gestor escolar

Revista Nova Escola

Pesquisa

Perfil dos Diretores de Escola da Rede Pública


Os diretores de escolas públicas no Brasil trabalham aproximadamente dez horas por dia. Eles têm, em média, 46 anos de idade - e menos de oito no exercício da função. Em seu cotidiano, as prioridades da agenda são cuidar da infraestrutura, conferir a merenda, vigiar o comportamento dos alunos, atender os pais, receber as crianças na porta, participar de reuniões com as secretarias de Educação e providenciar material. Sobra pouco tempo para conversar com professores, prestar atenção nas aulas e buscar a melhoria do ensino, a meta essencial da escola.

Essas são as principais conclusões de uma pesquisa inédita realizada pelo Ibope entre maio e junho deste ano, a pedido da Fundação Victor Civita. Foram ouvidos 400 diretores de escolas públicas em Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo. Cada entrevista durou cerca de 50 minutos e abordou desde características pessoais até a relação com as redes de ensino e com as equipes dentro das escolas. Nesta reportagem, você vai conhecer um pouco mais do perfil desses profissionais, com base em sete aspectos:

- rotina de trabalho,

- formação inicial e continuada,

- responsabilidades pedagógicas,

- autonomia na função,

- relação com as políticas públicas,

- perspectivas para a Educação

- formas de seleção para o cargo.

No dia a dia, os diretores passam muito tempo cuidando de tarefas administrativas - e pouco tempo com questões pedagógicas. Segundo a pesquisa, 90% verificam a produção da merenda todos os dias. O mesmo vale para a supervisão dos serviços de limpeza (84%), o fornecimento de lápis e papel (63%) e a conferência das condições das carteiras (58%). Ainda entre as tarefas que são desempenhadas diariamente, 92% afirmam dedicar tempo para atender pais, 74% para receber os alunos na porta e 89% para observar o relacionamento entre os funcionários e a comunidade. Porém 50% não acompanham as reuniões semanais entre os professores e a coordenação pedagógica. E 25% reconhecem que nunca olham os cadernos dos estudantes para verificar a evolução da aprendizagem.

Uma parte dos diretores ouvidos reconhece que tem negligenciado as atividades pedagógicas, mas a maioria aprova a rotina que adota. Para Maria Luiza Alessio, diretora de Fortalecimento Institucional e Gestão da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), o gestor que cuida apenas de administração e infraestrutura esquece que isso só faz sentido quando utilizado como meio para melhorar o desempenho das turmas. "É por isso que à frente de quase todas as unidades há diretores que foram professores e deveriam se lembrar da importância do trabalho de sala de aula", afirma.

45% tratam de questões burocráticas e de orçamento todos os dias.

Isso mostra que, em vez de prevenir, eles remediam e acabam comprometendo cada vez mais tempo com questões sem ligação direta com o pedagógico.

Formação e responsabilidade

Questionados sobre a formação, os diretores apontam uma preocupante contradição: 93% acham que sua primeira formação foi boa ou excelente, mas só 15% consideram que o curso (Pedagogia ou licenciatura numa das disciplinas do Ensino Fundamental) os preparou para o exercício da função de diretor. Ou seja, a faculdade é boa, mas não serve para o que acontece nas escolas... Talvez por isso os cursos específicos de gestão escolar oferecidos pelas redes públicas sejam tão bem avaliados: 89% dos diretores dizem que essas atividades colaboraram muito para a melhoria de seu trabalho.

89% dizem que os cursos de gestão escolar oferecidos pelas redes contribuíram muito para melhorar seu trabalho na escola.

O número reforça a forte demanda dos diretores por aulas de como gerir uma unidade escolar, que não são dadas em sua formação inicial de educador.

Outra contradição aparece quando os diretores são questionados sobre quem é o responsável pelas notas baixas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Pela ordem, os "culpados" são o governo (48%), a comunidade (16%) e o professor (13%). O aluno, que é vítima do mau ensino, aparece com 9% das citações. Em seguida, vem a escola, com 7%. E o próprio diretor, o que ele tem a ver com o mau desempenho dos estudantes? Só 2% dos consultados acham que têm responsabilidade nisso. Numa visão distorcida, se veem como "importantes para a aprendizagem" (66%), mas não se colocam em cena quando o ensino fracassa.

Quem é o responsável?

A maioria diz que a responsabilidade pela nota baixa no Ideb é do governo e o diretor aparece como o menos responsável

O mesmo vale para a questão da autonomia no dia a dia. Diante de múltiplas opções, 57% afirmaram que, se pudessem ter mais poder na condução da escola, melhorariam as condições do prédio. Outros 53% escolheram mais liberdade para contratar ou demitir professores. E os aspectos pedagógicos simplesmente inexistem, segundo a pesquisa do Ibope.

57% escolheriam melhorar as condições do prédio se tivessem mais autonomia sobre a escola.

A opção por investimentos estruturais foi a que mais apareceu e mostra a percepção dos diretores de que as reformas e ampliações das escolas são insuficientes.

Políticas públicas e a Educação

Apesar de culparem o governo pelos maus resultados no Ideb, os diretores reconhecem avanços na política educacional. Questionados sobre os principais avanços nos últimos dez anos, as respostas (espontâneas) mais citadas foram: a oferta de cursos de formação em serviço (30%), o surgimento das avaliações externas (22%), a distribuição de materiais didáticos (22%), a compra de equipamentos (17%) e a criação do Bolsa Família (13%).

Graças a isso, os diretores brasileiros têm uma visão razoavelmente otimista sobre a Educação - hoje e, sobretudo, no futuro. Para 13%, a situação atual é boa - 53% opinam que é regular, 24% que é ruim, e 9%, péssima. E como estará o país daqui a dez anos nesse setor? Os gestores preveem um cenário ainda mais animador: 6% acham que o sistema educacional estará excelente, 58% bom, 24% regular, 5% ruim e 7% péssimo. "A princípio, esses números chegam a causar estranheza, diante de tantos problemas no dia a dia das escolas. Mas provavelmente os diretores fazem comparações com a realidade dos anos 1980 e 1990, quando as escolas recebiam muito menos ferramentas e formação de parte dos governos", acredita Adriana Cancella Duarte, do Departamento Escolar da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Visão otimista

A maioria vê a situação atual da Educação no Brasil como regular e acha que daqui a dez anos ela estará boa ou até excelente.

Seleção para o cargo

Finalmente, as formas de seleção para ocupar o cargo de diretor escolar também fizeram parte do levantamento encomendado pela Fundação Victor Civita ao Ibope. A eleição para diretor passou a ser (nas cidades pesquisadas) a principal forma de seleção para o cargo: 45% dos ouvidos foram eleitos, ante 25% que fizeram concurso público específico para a função e 21% nomeados ou indicados pelo secretário de Educação. Outros 5% afirmaram que passaram por uma seleção técnica e 4% por sistemas mistos, como um concurso prévio que seleciona aqueles que podem ser nomeados.

Em seguida, perguntou-se qual é a melhor forma de contratação de um diretor. E, para 49% dos entrevistados, é a eleição, principalmente porque ela garante o respaldo da comunidade e porque a pressão política é menor. Na opinião de 35%, o caminho deveria ser o concurso público, enquanto a nomeação foi apontada por apenas 5% do total (ou seja, nem mesmo os atuais indicados reconhecem que essa é uma boa forma de escolha).

Leia a reportagem completa em: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/faz-pensa-gestor-escolar-507667.shtml

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Resultados da audiência do SEPE com diretora do Instituto Helena Antipoff

No dia 28/10/09, o Sepe teve audiência com a diretora do Instituto Helena Antipoff, Claudia Grabois. Os diretores do Sepe pediram esclarecimentos sobre a política que a SME está implementando para a Educação Especial. A diretora do IHA, fez um breve histórico sobre a legislação e suas garantias quanto ao direito do portador de necessidades especiais e a inclusão, apresentou números e diversas argumentações.
Admitiu, que em primeiro momento, a SME iria realizar a inclusão total, no entanto, recuou e, de fato, só fará com alunos até 8 anos. A orientação é que as mães que assim desejarem terão o seu direito atendido. Para isso, o IHA está providenciando a aquisição de equipamentos para as salas de recurso.

Alguns dados:

· 769 classes especiais;

· 7 mil em classes e 350 incluídos;

· O município tem 177 salas sem equipamentos e 07 salas equipadas;

· Em novembro o MEC capacitará a equipe do IHA e depois os professores das salas de recursos (UFSC e UFM);

· Onde não houver sala de recurso, um ônibus levará os alunos no contraturno para as salas de recurso ou Centros;

· Que estará implantando 88 salas;

· As escolas de educação especial não vão acabar. Onde acontecer a inclusão (classe), esta não será reaberta;

· Cada CRE está funcionando com 02 (dois) agentes de inclusão (para dar atendimento aos pais e responsáveis que necessitam de esclarecimentos e/ou encaminhamentos;

· O MEC está capacitando com Pós-graduação, professores de Ed. Física (10);

· Quanto à formação dos professores da rede: profªs. do IHA irá capacitar os professores de ED.Física, Multi Rio, UERJ, UFRJ, UNIRIO para os demais professores da rede, está tentando uma parceria com o Instituto Benjamin Constant;

· A equipe do IHA estará sempre pronta para auxiliar o professor, criando um canal pela internet e um GT de adaptação pedagógica (adaptações das provas, prova oral, e em Braile – que é feita no IHA);

· Quantitativo de alunos com turmas de inclusão: 25 diversas deficiências e 30 deficiências auditivas.

Claudia Grabois finalizou, dizendo que nenhum professor da educação especial será perdido, que turmas com alunos com deficiência auditiva terão a figura do segundo professor (de libras), onde não tiver será contratado intérprete. Ao perguntarmos como será feito esta contratação, ela disse que por licitação.

Por fim, definiu que a inclusão será gradativa e/ou parcial.

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