quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Guerra do tráfico e operações policiais continuam colocando profissionais e alunos em risco

Desde segunda-feira (dia 19/10) os confrontos envolvendo policiais e traficantes em diversas áreas da Zona Norte continuam prejudicando o funcionamento e colocando em risco a vida de profissionais de educação e alunos. Hoje, segundo informações da Rádio CBN, cerca de dois mil alunos que estudam em unidades localizadas nas proximidades do Morro de São João e no Morro dos Macacos ficaram sem aulas por causa das operações policiais e das ameaças de invasão da parte de traficantes. Os confrontos também ocorreram em favelas do Complexo do Alemão, principalmente na Vila Cruzeiro e, por causa do tiroteio, centenas de alunos das escolas da região não estão conseguindo voltar para casa. Um estudante de 18 anos e um outro morador foram baleados.
Ontem, na Favela da Mandela, no Complexo de Manguinhos, após um confronto envolvendo policiais militares e traficantes, a área externa da Escola Municipal Professora Maria de Cerqueira e Silva foi invadida, primeiro por bandidos e, depois, por policiais, deixando centenas de crianças expostas ao fogo cruzado. Enquanto os enfrentamentos continuam, a SME insiste em manter uma política de obrigar as escolas a manterem a portas abertas para aparentar uma "normalidade" que só existe nos gabinetes refrigerados da Secretaria e das Coordenadorias Regionais de Educação. O prefeito Eduardo Paes, que deveria se preocupar com a segurança das escolas municipais, se encontra em Londres, visitando as instalações olímpicas daquela cidade.
Desde segunda-feira, o Sepe vem tentando contato com a SME e com a 2ª CRE para exigir garantias de segurança para os profissionais das unidades da rede municipal. Hoje a tarde, a direção do sindicato irá até a SME para exigir uma audiência com a secretária de Educação Claudia Costin para denunciar a gravidade da situação e o risco a que estão expostos profissionais e alunos por causa da burocracia e da falta de sensibilidade das autoridades estaduais e municipais.

Guerra do tráfico: Sepe pede a suspensão das aulas nas escolas próximas ao Morro dos Macacos

Publicada em 19/10/2009 às 20h33min
O Globo

RIO - O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) quer a suspensão das aulas nas escolas públicas próximas ao Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Nesta segunda-feira, o sindicato recebeu denúncias de professores que trabalham nessas unidades sobre a pressão exercida pela Coordenadoria Regional de Educação (CRE) para que as escolas fossem abertas. Segundo o Sepe, a medida expõe os profissionais a ficarem no meio do fogo cruzado.
Ainda de acordo com o sindicato, o objetivo das autoridades é o de "aparentar uma normalidade e uma sensação de segurança para mascarar a falta de controle do governo no setor da segurança pública". No entanto, os alunos não foram às aulas nesta segunda-feira.
O Sepe quer exigir das autoridades condições de segurança para que as escolas localizadas nas áreas envolvidas no conflito entre traficantes no último sábado posam voltar a funcionar normalmente.
Em nota, o Sepe lembra que a abertura de escolas em áreas de confronto já foi tentada no Complexo do Alemão e causou ferimentos em alunos de uma escola municipal durante tiroteio entre traficantes e policiais. E defende que o termômetro sobre a real condição de funcionamento das unidades escolares deve ser a própria comunidade. "Se houvesse segurança na região, certamente os pais não sacrificariam seus filhos deixando-os sem aula".
(Veja flagrantes das operações em vários pontos da cidade)
Esta segunda-feira foi o primeiro dia de aulas após um helicóptero da polícia ter sido derrubado a tiros, no sábado. Agentes de diversos batalhões fizeram seis operações em várias favelas da cidade, resultando na prisão de homem na Favela do Jacarezinho - que já teria confessado participação nos atos de violência - e, no Morro da Chatuba, na apreensão de um rifle .30 antiaéreo, que pode ter sido usado no ataque ao helicóptero da PM. No Parque União, morreu uma pessoa suspeita de participação em crimes, elevando para 20 o número de mortos nos confrontos recentes - três deles, sem qualquer ligação com o tráfico.
O major Oderlei Santos, relações públicas da PM, afirmou que as ações policiais só irão terminar quando forem presos todos os criminosos envolvidos na guerra do último fim de semana. O cabo Izo Gomes Patrício, um dos policiais que estava no helicóptero, faleceu pela manhã.
- (As operações) não têm prazo para término. A Polícia Militar vai atuar incansavelmente na busca e captura desses criminosos. Se eles resistirem, haverá confronto. E a polícia não vai recuar - afirmou o major, em entrevista ao site G1.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Conlutas-RJ realiza seminário estadual sobre reorganização

• Como parte das atividades preparatórias ao Seminário Nacional de Reorganização do Movimento Sindical e Popular, organizado pela Conlutas, a Conlutas do Rio de Janeiro promove, nesta sexta-feira e sábado, 23 e 24, o Seminário Estadual sobre a Reorganização. O seminário nacional será em São Paulo, nos dias 1º e 2 de novembro.

• O evento inicia às 18h de sexta, com um debate sobre conjuntura. No sábado, os trabalhos recomeçam às 9h, com o dedate “Concepção da Nova Central”.

• O seminário estadual será no auditório do Sindsprev-RJ, que fica na rua Joaquim Silva, 98 – A, Lapa, Rio de Janeiro.

• Para inscrições e maiores informações, entrar em contato com a Secretaria da Conlutas-RJ pelo telefone (21) 2509 1856 ou pelo e-mail conlutas-rj@conlutas.org.br.

Susana Gutierrez - coordenadora-geral da Regional IV e coordenadora da Capital do Sepe RJ

Escolas públicas estaduais vão parar amanhã por 24 horas:

Os profissionais das escolas públicas estaduais vão fazer uma paralisação de 24 horas amanhã, quarta-feira (21). A partir das 11h, a categoria vai fazer uma vigília na porta da Secretaria de Estado de Planejamento (SEPLAG), na Rua Erasmo Braga, para acompanhar uma audiência da diretoria do Sepe com o secretário de Planejamento, Sérgio Ruy Barbosa. Às 14h, o Sepe realizará uma assembléia geral, no auditório da Associação Cristã de Moços (ACM), na Rua da Lapa, 86, 6º andar, para avaliar as negociações com o governo estadual e os resultados da audiência com o secretário de Planejamento e Gestão.

A rede estadual se encontra em estado de greve desde o dia 15 de setembro, o que significa que, se as negociações com o governo não avançarem, a greve poderá recomeçar. As principais reivindicações são as seguintes:

1) Inclusão dos profissionais de 40 horas, funcionários administrativos e animadores culturais no Plano de Carreira da educação;

2) Pagamento da incorporação da gratificação do Nova Escola ainda durante esta gestão do governador Sérgio Cabral. No atual parcelamento, o pagamento somente terminará em outubro de 2015.

No dia 5 de outubro ocorreu a reunião do Sepe com o secretário Sérgio Ruy Barbosa – foi a primeira audiência com o governo desde o fim da greve, que durou de 8 a 15 de setembro. Nessa reunião, houve uma boa notícia para os animadores culturais das escolas estaduais: o governo aceitou reajustar o salário desse setor de R$ 645,00 para R$ 1.234,56. Na reunião marcada para amanhã, a Seplag se comprometeu a apresentar uma proposta em relação aos profissionais de 40 horas. O Sepe reivindica que esse setor seja incorporado ao plano de carreira.

Expediente Normal nas Escolas da Rede Estadual no dia 26

Ver a notícia em: http://www.educacao.rj.gov.br/index5.aspx?tipo=categ&idcategoria=627&idItem=3973&idsecao=13

A Secretaria de Estado de Educação informa que o feriado destinado ao Servidor Público, antecipado para o dia 26 de outubro, não se aplicará às escolas estaduais. As unidades escolares deverão permanecer abertas nessa data, com funcionamento normal das atividades, tendo em vista a concessão governamental de ponto facultativo no último dia 16, em comemoração ao Dia do Professor. O objetivo é garantir o mínimo de 200 dias letivos exigidos por lei.

A decisão vem ao encontro do Parágrafo Único, do Decreto Nº 42.071, publicado no Diário Oficial, de 9/10/2009, que estabelece que o “expediente será normal, entretanto, sob a responsabilidade dos respectivos chefes, nas repartições cujas atividades não possam ser suspensas, em virtude de exigências técnicas ou por motivo de interesse público, no dia 26 de outubro de 2009”.

No meu Arco-íris tem Vermelho!

Camaradas,
Além da reunião do Coletivo da Secretaria de Gênero e Combate à Homofobia, marcada para essa quinta feira às 14:30 h, há um outro compromisso para quem caminha firme na luta contra a homofobia.
Está sendo convocada por lideranças do Movimento LGBTT, uma reunião do campo de esquerda do movimento. Sindicalistas, estudantes, outros militantes são bem-vindos.
Será nessa quarta, dia 21, as 17 h no Sepe.
É hora de organizar o campo de esquerda do movimento, afinal NO MEU ARCO-ÍRIS TEM VERMELHO!
Fábio Castelano
Dir. de Gênero e Combate à Homofobia Sepe Central

Diretoras da regional IV debatem a situação da educação no Brasil

No dia 09 de outubro, a professoras Vera Nepomuceno (coord. geral do SEPE-RJ e da Regional IV) e Susana Gutierrez (coord. da capital do SEPE-RJ e coord. geral da Regional IV) , juntamente com Célia Linhares (professora da UFF e da UNESCO), estiveram participando do programa Faixa Livre da rádio Band Am 1360, tratando sobre o tema a situação do professor no Brasil.
Acompanhe a entrevista aqui

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sepe exige que autoridades paralisem atividades nas escolas da área do Morro dos Macacos e bairros envolvidos na guerra do tráfico de drogas

O conflito em área de risco na cidade do Rio de Janeiro, traz a tona toda a irresponsabilidade dos governos quanto a sua política de desemprego, educação, transporte e segurança. Na semana passada não eram os bandidos, mas a população que promoveu protestos contra a qualidade de transporte oferecida ao dito cidadão. Agora, a explosão de uma situação de guerra civil, detonada pelo conflito entre os interesses do tráfico de drogas e a repressão imediatista e ineficiente do Estado. No meio deste caos, a população das comunidades carentes e moradores e geral da cidade.

No olho do furacão, escolas, seus profissionais e alunos.

No primeiro dia após os conflitos entre policiais e o tráfico de drogas os profissionais de educação são obrigados a ficarem no meio do fogo cruzado. Se as escolas não têm condições de trabalho para seus profissionais em dias “normais”, imaginem nos dias em que há este tipo de conflito. Não é possível que os governos continuem a usar como “escudos da normalidade” o funcionamento regular de escolas que se localizam nessas áreas.

A SME e as CREs orientam o funcionamento normal de escolas atingidas diretamente. Foi o caso por exemplo das escolas da área do Morro dos Macacos que ou foram atingidas e tiveram seus vidros estilhaçados ou tiveram salas incendiadas. Segundo informações em uma das escolas os profissionais foram obrigados a cumprirem horário, dentro da escola que se localiza num dos pontos mais perigosos do Morro dos Macacos. Outra escola também teve o funcionamento “normal” embora os pais não tivessem levado seus filhos. O termômetro desta situação deve ser a própria comunidade. Se houvesse “normalidade” na região, certamente os pais não sacrificariam seus filhos deixando-os sem aula. Se houvesse normalidade nas áreas atingidas os ônibus não teriam sido queimados em plena rua. Se houvesse situação normal a polícia não iria a imprensa anunciar que vai procurar a arma que atingiu o helicóptero, ou fecharia ruas por toda a cidade.

Por isso o Sepe orienta que as escolas exijam do governo as condições plenas de segurança para o seu funcionamento. Nossos profissionais não são policiais e nenhum tipo de treinamento pode garantir a sua segurança. A Constituição garante que o trabalhador precisa ter segurança para exercer o seu trabalho. É ilegal e imoral que nossas vidas sejam postas em risco em nome de uma normalidade que pretende esconder os graves problemas sociais, produto das políticas governamentais de descaso com a população.

Rio recebe maior mostra de Marc Chagall já organizada no Brasil

De Andrea Palatnik (AFP) – há 5 dias
RIO DE JANEIRO, Brasil — O Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (MNBA) inaugura nesta quinta-feira a maior exposição de Marc Chagall já organizada no Brasil, com quase 300 obras de diversos períodos da vida do artista, entre pinturas, guaches, gravuras e esculturas, segundo os organizadores.
É a primeira mostra de Chagall no Brasil em 52 anos. A curadoria levou dois anos para organizar tudo, com um orçamento de 4,5 milhões de reais (2,6 milhões de dólares). A iniciativa faz parte do Ano da França no Brasil.
O grande destaque da mostra são três séries completas de desenhos, produzidos a partir de diferentes técnicas: "La Bible", com 105 águas-fortes, "Daphnis et Chloé", com 42 litografias, e "Les âmes mortes", com 107 gravuras.
A célebre série "La Bible" (A Bíblia), na qual Chagall trabalhou entre 1931 e 1939, traz histórias do Velho Testamento, como a saída dos judeus do Egito e a construção da arca de Noé, e retratos de seus personagens mais marcantes, como os três patriarcas e os reis Salomão, David e Saul.
Em "Les âmes mortes" (As almas mortas), Chagall ilustra em preto e branco o romance homônimo de Nicolai Gogol, ambientado na Rússia czarista com a qual o pintor, nascido na então Bielorrússia, tinha bastante familiaridade.
Já "Daphnis et Chloé" (Daphne e Chloé) é uma interpretação delicada e colorida da fábula pastoral grega escrita no século II pelo poeta Longus. Para produzir as litografias, em meados da década de 50, Chagall viajou duas vezes à Grécia em busca de inspiração.
Os cariocas também poderão ver 100 guaches e gravuras em metal da série que Chagall fez para ilustrar as fábulas de La Fontaine, produzida entre 1926 e 1927. Assim como a maioria das obras expostas, este conjunto foi encomendado pelo galerista Ambroise Vollard, que se tornou notório no mundo das artes por revelar nomes como Pablo Picasso, Henri Matisse, Paul Cezánne e Vincent Van Gogh.
"Marc Chagall foi um dos pioneiros da modernidade e um dos artistas mais notáveis de seu tempo", afirma Fabio Magalhães, curador da exposição.
A mostra passou primeiro pela cidade de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais (sudeste), onde contou com algumas obras que não puderam vir para o Rio. Entre elas, 17 quadros emprestados pelo Museu Tretyakov de Moscou, pinturas cedidas por colecionadores particulares brasileiros e italianos e duas esculturas em mármore vindas da Suíça, "Oiseau" (Pássaro) e "Poisson" (Peixe).
Por outro lado, o MNBA terá "Le char sur la ville" (A carroça sobre a cidade), óleo sobre tela de 1950 que não passou por Belo Horizonte.
"O Mundo Mágico de Marc Chagall - o Sonho e a Vida" poderá ser visitada no Rio até o dia 6 de dezembro.

Pubicada em: http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5in1RHSFNckOnh0czmihStrggUNUQ

Cinco observações sobre a crise da educação pública para uma estratégia revolucionária

“A doutrina materialista de que os homens são produtos das circunstâncias e da educação, e de que portanto, seres homens modificados são produtos de circunstâncias diferentes e de uma educação modificada, esquece que as circunstâncias são modificadas precisamente pelos homens, e que o próprio educador precisa ser educado. Leva, pois, forçosamente, à divisão da sociedade em duas partes, uma das quais se sobrepõe à sociedade(...) A coincidência da modificação das circunstâncias e da atividade humana só pode ser apreendida e racionalmente compreendida como prática revolucionária.”
Karl Marx (1)

A chain is no stronger than its weakest link
(Uma corrente não é mais forte que seu elo mais fraco) - Sabedoria popular européia

Este texto resultou de uma comunicação apresentada no seminário do ILAESE (Instituto Latino-americano de Estudos Sócio-Econômicos), em novembro de 2005. Comentaremos cinco temas que foram, na ocasião, objeto de uma discussão coletiva. A primeira idéia é o reconhecimento do fracasso da educação pública como instrumento da mobilidade social. Uma das premissas do capitalismo era a igualdade jurídica dos cidadãos. A promessa dos reformistas brasileiros foi, contudo, ao mesmo tempo, mais audaciosa e confusa: afirmaram durante os últimos vinte anos de regime democrático liberal, antes de chegar ao poder, que a educação seria, mesmo preservado o capitalismo, uma via de maior justiça social. A escola poderia mudar o Brasil, diminuindo as desigualdades sociais. Através da meritocracia, da igualdade de oportunidades, a chamada equidade, a justiça diante de obstáculos ou de barreiras que são ou deveriam ser universais, existiria a possibilidade de melhorar de vida. Todo a promessa reformista esteve construída em cima desta tese. “Estudem e trabalhem duro”, e terão um futuro superior ao dos vossos pais.

Educação e trabalho para todos garantiriam, presumia-se, uma maior coesão social à democracia burguesa na periferia do capitalismo, e serviam de álibi para a confiança dos reformistas nas possibilidades de “controle social” do mercado. Abraçados a esse programa, o desenvolvimento econômico substituía, alegremente, o socialismo como horizonte estratégico da esquerda eleitoral. A democracia liberal afiançaria, gradualmente, prosperidade para todos. Seria uma questão de paciência. Mas, quando chegaram ao poder, fizeram um “desconto” na promessa, e o direito à educação universal foi subtraído: no lugar de mais verbas para a educação pública, mais isenção fiscal para a educação privada. Sobraram as políticas compensatórias como o “Bolsa Família”: uma amarga contrapartida.

Todas os levantamentos estatísticos disponíveis a partir do censo do IBGE de 2000 e dos PNAD’s dos anos seguintes informam que, apesar de melhoras quantitativas modestas dos índices educacionais, o projeto reformista tem sido um fiasco. O Brasil está mais injusto que há vinte anos atrás, o desemprego mais alto, os salários médios congelados, enfim, a vida ficou mais difícil. A expansão da rede pública foi significativa nos anos sessenta, setenta e oitenta, mas não diminuiu a desigualdade social. Depois, a partir dos anos noventa, vieram as políticas sociais focadas que o governo Lula está preservando, e fracassaram, ainda mais estrepitosamente. A mobilidade social, ou seja, a esperança de ascensão social de uma geração para outra permanece muito pequena. A desigualdade social brasileira continua entre as mais elevadas do mundo. Vinte anos de democracia burguesa e de alternância no poder municipal, estadual e nacional entre a centro direita e a esquerda reformista, que tiveram oportunidade de aplicar os mais variados projetos educacionais, não trouxeram maior mobilidade social. Segundo os dados do IBGE, os 10% mais ricos da população ainda são donos de 46% do total da renda nacional. Já os 50% mais pobres ficam com apenas 13,3%. Há décadas o Brasil anda de lado, ou seja, fica para trás.

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Valério Arcary
Historiador, professor do Cefet/SP e membro do conselho editorial da revista Outubro

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